 Não são coisa nova os pobres. Sempre foram uma realidade presente. Também a realeza é, de um ou de outro jeito, uma realidade presente; e, nem sempre, a realeza é exercida em favor dos mais necessitados. No meio cristão sempre se abominaram os reis déspotas e se exaltaram aqueles que na sua sensibilidade e generosidade se dedicaram aos mais desvalidos. O Rei maior oferece o seu trono, preferencialmente aos mais pobres. Faz disso bandeira e nós sabemos que é real. É, de facto, de Rei ser capaz de descer aos mais simples, a eles se aliar e fazer deles o seu programa de vida. E porque a realidade da realeza já se afasta de nós há algum tempo, somos capazes de entender este conceito de forma mais ampla e simbólica: mostra-nos a grandiosidade e a beleza de quem serve, com actos nobres, meritórios e generosos. O Rei de que hoje se fala foi capaz de colocar os pobres no seu trono abrindo-nos as portas da glória para aí nos chamar. É um Rei capaz de derrubar as fronteiras da pobreza e os preconceitos para estabelecer uma nova ordem inversa à que a sociedade nos apresenta com a naturalidade dos instintos humanos. É um Rei que vem nivelar as desigualdades e fazer um reino de todos e para todos, sem raças, cores, culturas ou qualquer situação social. É um rei que vai à casa do pobre e à casa do rico e que é criticado por uma e por outra situação, mas que não tem medo de a assumir. Este é o Rei que se impõe pelos seus actos, que guerreia, e é aquele que ama e é capaz de se colocar na frente da batalha entregando a sua vida e dando o seu próprio sangue. Este Rei faz o Reino que não é deste mundo, um reino bem diferente do dos homens. Estamos aquém de o conseguir, certamente. Mas prossigamos com coragem, alegria e esperança. Havemos de conseguir. Manuel João in DIÁLOGO 1224 - XXXIV SOLENIDADE DE JESUS CRISTO REI DO UNIVERSO
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